Planejamento familiar no adolescente
terça-feira, 26 de outubro de 2010

Não é raro encontrarmos adolescentes grávidas em nosso meio. Todos nós já nos deparamos com este problema ou na esfera familiar ou entre amigos próximos.

Todos  sabemos que a gravidez na adolescência é perigosa, tanto para a mãe quanto para o feto.
Filhos de adolescentes são comumente abandonados à sua própria sorte, quando conseguem nascer, ou são abortados criminosamente, abortos esses que já ceifaram as vidas de milhões de fetos e milhares de mães.

O mundo moderno sempre utilizou o sexo como superstar de quaisquer reclame publicitário, quaisquer novela, música etc. induzindo a prática sexual em crianças, adolescentes, adultos e velhos de uma forma irresponsável, absurda e principalmente distorcida, deseducada e leviana.

O que nós, geração pós-Beatles, estamos fazendo diante dos frutos e dos efeitos colaterais das nossas idéias e práticas liberais? Será que vamos continuar sonegando aos nossos filhos as informações médicas absolutamente necessárias ao planejamento familiar? Será que vamos deixá-los aprender com os seus próprios erros? Será que vamos deixar que a gravidez indesejada limite os seus horizontes culturais e profissionais? Será que vamos continuar a nos esconder atrás desta hipócrita máscara moral que, até hoje, só tem contribuído para aumentar o número de abortos criminosos, o número de adolescente mutiladas psíquica e fisicamente ou mesmo o número de adolescentes assassinadas pela desinformação e pela ignorância?

O sexo entre pessoas sadias nunca foi problema, pois é um ato fisiológico que não somos , se normais, capazes de evitá-lo.

O problema é a gravidez indesejada e as doenças sexualmente transmissiveis.

A ciência já, de há muito, coloca à disposição dos nossos adolescentes: condons, diafragmas, DIUs, espumas e geléias espermaticidas, anticoncepcionais hormonais orais e injetáveis, métodos comportamentais e, principalmente, o conhecimento da fisiologia e da anatomia dos aparelhos genitais masculino e feminino, e nós, até hoje, continuamos  preferir “confiar” nos nossos filhos, sem pelo menos dar a eles o direito acesso às informações necessárias à sua proteção contra a gravidez indesejada.
Colocamos sobre eles a responsabilidade de evitar o inevitável.

Será que nos esquecemos dos nossos tempos e quantos riscos corremos?

Nós invadimos sinais e nossos filhos também vão de invadi-los, pois disso depende o progresso da nossa sociedade.

Se pecamos em muitas coisas, acertamos em muito mais!

Não podemos cometer os mesmos erros dos nossos pais e educadores, que, pressionados por arcaicos conceitos morais, esconderam dos adolescentes as informações já sabidas, produziram um sem-número de infelizes casamentos na adolescência, mães solteiras, meretrizes e cadáveres.

Temos que colocar a sexualidade e o planejamento familiar no curriculum escolar e bem no início da adolescência, para que nossos filhos não engravidem, ou não coloquem uma criança no mundo que não são capazes de educar , não abortem ou não morram. Sexo eles ou vão fazer ou vão continuar fazendo, porque é fisiológico

Marcelo G Reis
Ginecologista e Obstetra
www.clinicamae.com.br
 



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